maio 18, 2004

CAMPANHA REPUBLICANA

Posted at maio 18, 2004 11:25 AM in .

Tendo em conta a histeria monárquica que certamente se avizinha, com o casamento dos cidadãos Letizia e Felipe (como muito bem diz o Alexandre), os canhotos temperarão o resto da semana com observações judiciosas sobre as vantagens da monarquia. Comecemos com um caso concreto:

Carlos nasceu a 8 de Julho de 1545, filho de Maria, filha do rei de Portugal, João III, e Filipe II de Espanha (dito I de Portugal). A mãe morreu poucos dias depois de dar à luz e talvez por causa disso (ou talvez devido aos pais serem primos) Carlos cresceu preguiçoso, intolerante, violento e sádico (além de corcunda e ter uma perna mais comprida que a outra). Aos 14 anos tornou-se noivo de Isabel, filha de Henrique II de França, noivado esse que seria cancelado meses depois para Isabel casar com o próprio pai de Carlos.
Depois de 1562, os actos de Carlos - masturbar-se em público durante as festas da corte, andar pelas ruas aos urros e a espancar honestos cidadãos - revelaram o que na realidade era, um louco. A loucura parece ter-se também virado para o pai, que odiava e cujo assassínio contemplou (mas diga-se que isso não é novidade em monarquia - o ceptro parece potenciar o complexo de Édipo).
Com o passar do tempo, tornou-se óbvio que Carlos não tinha condições para suceder ao trono de Espanha, a que tinha direito legítimo por ser o filho mais velho, pelo que o próprio pai, Filipe II mandou encarcerá-lo e, mais tarde, enviou dois homens a meio da noite à cela do filho que, metodicamente, lhe aplicaram os polegares na garganta e o estragularam.

O que prova que, como notam os defensores da monarquia, substituir um monarca indesejado sai mais barato que derrubar um presidente da República malquisto.

P.S. - Quem julgar que este é um caso excepcional informe-se sobre a história de Afonso VI de Portugal ou Eduardo V de Inglaterra.


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