abril 19, 2004

IRONIA ONDE?

Posted at abril 19, 2004 11:31 AM in POLITICZZZZZZ .

O Macguffin diz que somos praticantes da "fina-ironia" (tendo em conta que já ninguém conhece ironia que não seja "fina" mais vale enfiar um hífen lá pelo meio)
Agradeço a benevolência mas o facto é que, devido aos meus ascendentes sociais, a minha ironia nunca poderá ser fina. No máximo, proletária.
Mais, o nosso embaixador hitchkokiano elucida-me enciclopedicamente com uma definição de racismo, da qual achei muito sagazes as acepções 4 e 5.

Vejamos:

1) O Estado de Israel assume-se como um estado judeu. Os seus cidadãos
árabes estão proibidos de possuir terras e são automaticamente excluidos de acesso a certos empregos além de serem pretedidos no acesso à universidade e a bolsas de estudo. Adicionalmente, as suas infraestruturas, como escolas, serviços de saúde, etc., têm orçamentos menores que as congéneres judaicas.

2) O Estado israelita nega o direito de regresso de várias centenas de milhar de palestinianos expulsos e a possibilidade de conferir direitos iguais de cidadania aos palestinianos dos territórios ocupados, alegando que isso representaria o fim de Israel. Ao mesmo tempo promove a colonização judaica da Cisjordânia (numa ínfima parte, é certo, 30% das terras mais férteis e com acesso a aquíferos) e a imigração para Israel, desde que seja de judeus.

3) Escola para crianças palestinianas cegas atingida por ataque aéreo israelita, mesmo tendo um foco no telhado a indicar a sua localização.

4) Atentado bombista contra escola palestiniana atribuído a militantes israelitas.

5) Colonos judeus incendeiam aldeia árabe.

6) Militantes israelitas celebram aniversário de massacre de muçulmanos em oração numa mesquita.

7) 2000 judeus etíopes protestam contra o "racismo do Estado israelita" por este recusar permissão aos seus familiares de se lhes juntarem, após terem sido levantadas dúvidas sobre a sua "pureza judaica".

8) Ministro israelita defende que devem ser usados seguranças árabes, pois "só um árabe tem olfacto para cheirar outro árabe".

9) Israelitas reconhecem "racismo latente" no estado após polícia metralhar 13 israelitas árabes.

10) Soldado israelita lamenta não ter morto a tiro um árabe em vez de um judeu.

Pronto, Mac, é verdade que podes duvidar de alguns destes factos, pois sabemos que os árabes são todos uns mentirosos. E também não ponho em causa a tua boa-fé quando acreditas que os ricos e poderosos não podem ser racistas e que os atentados suicidas e assassínios de judeus por parte dos palestinianos se devem a sentimentos racistas inatos e não ao facto de os israelitas lhes terem ocupado as terras, expulsado os compatriotas, destruido as casas e não lhes permitam a criação de um estado independente.

Não te chateio mais com a realidade. Volta lá para as enciclopédias que cá te continuaremos a ler.

Comments

J, quando se trata de Israel tens sempre um poucochinho de má-fé, não é verdade? Todos os exemplos que dás, podem ter contra-exemplos ainda piores, pelo que não é por aí que vais provar coisa alguma.
Só mais uma coisinha quanto ao direito de regresso dos palestinianos. Porque razão haveria de ser diferente para os palestinianos daquilo que foi, por exemplo, para os alemães expulsos da Prússia oriental pelos polacos e russos depois da 2.ª Guerra Mundial? Ou dos também alemães expulsos da região dos Sudetas pelos checos? Como é que de 800.000 refugiados depois da guerra de 1948-49, temos agora 4 ou 5 milhões de refugiados. Para todos os outros povos, são contam como refugiados as pessoas que foram expulsas efectivamente e não os descendentes nascidos já depois da expulsão. Por isso, o número decresce e não aumenta. Com os palestinianos é o contrário, 50 anos depois são mais agora do que eram antes. Estranho, não é?
Por acaso negas o racismo anti-semita (e não me venhas com a história que os árabes também são semitas, anti-semitismo é mesmo racismo dirigido contra os judeus, passe a publicidade, expliquei isso no meu blog há uns tempos)que é instigado em tudo o mundo árabe às criancinhas mal estas aprendem a falar? Sabias que na Jordânia um judeu não pode ser cidadão do país? Sabias que os judeus estão proibidos de entrar na Arábia Saudita nem que seja por motivos de negócios ou turismo? esqueces por acaso que Israel está rodeado de vizinhos que desejam, explícita ou implicitamente, destrui-lo?
Não podes negar que há árabes que matam judeus apenas por serem judeus (ver o caso do cidadão canadiano raptado no Iraque que foi espancado porque o confundiram com um judeu). Não há preto e branco nesta questão israelo-árabe. Na verdade, é tudo mesmo muito cinzento, muitos tons de cinzento.

Posted by Rui Oliveira at abril 19, 2004 04:28 PM

Sei perfeitamente isso tudo. A questão é que o racismo não é, neste caso, unilateral, mas funciona para os dois lados e tentar justificar a violência palestiniana como puro racismo, branqueando todos os outros motivos, é pura má-fé política. Além de que, se Israel se reclama e quer ser aceite como uma democracia talvez tenha responsabilidades maiores que outros países catalogados ditaduras.
Acrescente-se ainda que o próprio princípio fundador do estado israelita é racista - uma nação etnicamente pura - mesmo que possam ser alegados vários atenuantes em sua defesa.

Acho é terrível no teu comentário que tentes justificar a negação do direito de retorno alegando passadas limpezas étnicas. Lembra-te que o Hitler fez a mesma coisa para justificar o Holocausto, dando o exemplo do genocídio arménio a que ninguém teria prestado atenção.

Posted by J at abril 19, 2004 05:49 PM

O direito de retorno tal como é concebido pelos palestinianos não é concebível em parte alguma, nem a ONU o pratica com quaisquer dos outros refugiados do mundo. Parece que há um direito especial para os palestinianos. E, J, pura e simplesmente, isso não pode ser.
Como fica do meu comentário, eu também digo que não há preto e branco neste conflito, mas, de qualquer modo, o racismo contra judeus é incentivado nos países árabes desde o berço, o que não acontece em Israel.

Posted by Rui Oliveira at abril 19, 2004 10:51 PM
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