Este é o título de um livro sobre o genocídio do Ruanda visto através dos olhos das vítimas. Alguns excertos estão aqui.
"Devia ver como eles os mataram. Tinham o número da casa de toda a gente e andaram pela cidade a marcar com tinta vermelha a casa de todos os Tutsis e moderados Hutu. A minha mulher estava em casa de uns amigos e levou dois tiros, só que..." ele ficou momentaneamente silencioso, "já não tem braços. E todos os outros que estavam na casa morreram."
(...)
"Os soldados trouxeram-nos para aqui e mandaram-nos sentar-se, pois iam atirar-lhes granadas. E eles sentaram-se."
(...)
"Aqui, o conformismo é muito forte," disse-me. "Na história do Ruanda, toda a gente obedece à autoridade (...)e a educação é insuficiente. Pega-se numa população pobre e ignorante, põe-se-lhe armas na mão e dizem: 'É tua. Mata.' E eles obedecem. Os camponeses, que foram pagos ou obrigados a matar, olhavam para as classes altas para ver como se deviam comportar. Por isso as pessoas influentes e os mais ricos são muitas vezes os inspiradores do genocídio."
(...)
"Mas imaginemos que alguém não quer matar. Imaginemos que ele se junta ao grupo só com um pau. Então eles dizem-lhe, 'Não, vai buscar um machete.' Então ele vai e junta-se aos outros, mas não mata. Então eles dizem, 'Ei, ele pode denunciar-nos depois. Ele tem de matar. Toda a gente tem de ajudar a matar pelo menos um.' Então essa pessoa que não é um assassino é obrigado a tornar-se um. E no dia seguinte torna-se muito mais fácil para ele fazê-lo."