Consegui despertar uma pequena polémica em torno da nudez da Scarlett Johansson, mas tenho impressão que me colocaram do lado errado da barricada.
Nunca disse que queria ver a actriz nua de qualquer maneira (aliás, nem sequer disse que eu a queria ver nua). O meu pensamento é idêntico ao do Bruno: depende! Expor a Scarlett à luz crua do Sol ou sob os filtros dengosos da Playboy seria apenas marginalmente mais interessante que passar uma noite com a Florbela Queirós num mosteiro beneditino.
No entanto, se o nu foi essencial para a mais importante arte pictória ocidental (esculturas gregas, pintura renascentista, fotografia contemporânea), fornecendo milhares de obras misteriosas, encantadores e enfeitiçantes, não o será também para o cinema?
Mesmo a teoria do "quanto mais coberta mais misteriosa" não me convence. Afinal, isso torna as varinas da Nazaré com sete saias e meias de lã verdadeiras ejaculações ambulantes. E não consigo imaginar o JMF e o MacGuffin cheios de ardores perante catequistas de meia-idade com saias rodadas até aos tornozelos e pullovers XL.
E falemos da questão ética. Scarlet Johansson é uma actriz. A função das actrizes é emprestarem o corpo a personagens. Se uma personagem exige um nu integral e o actor/a actriz se negam a fazê-lo não estarão a cometer uma espécie de violação do código deontológico? Ou pelo menos um sério entrave profissional?
E finalmente o aspecto que acho mais interessante. Será a beleza física uma espécie de arte natural? Não será que, tal como se protegem paisagens naturais e espécies animais pela sua beleza, a beleza do corpo não devia ser salvaguardada e registada para a posteridade?
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